Alguns tipos de comércio sofrem por serem destinados a pobres. Por exemplo, o açougue. Rico não chega nem perto do açougue, com aqueles pedaços de carcaça pendurados no refrigerador, o açougueiro com o cofrinho de fora e aquele monte de mosca em cima do balcão. Quando quer fazer churrasco, o rico contrata alguém pra levar a carne, fazer o churrasco, servir os convidados e limpar tudo antes de ir embora. E nada de carne Bassi ou Wessel... isso é coisa de classe média, que compra no Pão de Açucar.
Lutando contra esse preconceito, arrojados publicitários conseguiram virar a mesa para alguns segmentos e atrair a classe mais abastada. Um exemplo? A mercearia. Aquele lugar cheio de caixotes de madeira, baleiros antigos e balança Frizola azul-calcinha, agora virou EMPÓRIO. É a mesma merda, mas com balança digital e ar condicionado. As magrelicious milionárias adoram ir ao empório no sábado para comprar uma salada de frutas.
Mas o que me tira do sério é a tal boulangerie, a famosa padoca. Talvez minha birra venha do fato de eu odiar pães, mas é fato de que o embuste e a intriga correm soltos nesses estabelecimentos.
Numa boulangerie, você vai encontrar dezenas de doces diferentes, mas todos iguais um brigadeiro ou uma tortinha de morango. Também vai achar dezenas de salgados apetitosos, todos versões pioradas de coxinha ou enroladinho de salsicha. Biscoitinhos tem vários, chamam até de petit-sei-lá-o-que, mas é tudo sequilhinho, pode notar. Coisas de quem acha que a Camelo é a melhor pizza do Brasil.
O maior espanto claro, são os pães, dezenas de variações da famigerada bola assada de farinha com água e fermento. Confuso por tantas opções, você acaba levando meia dúzia daquele pão invertido com azeite aromatizado de alecrim. Ou ainda leva umas baguetes salpicadas de sal marinho (de onde mais pode ser o sal?). E o pior, claro, é o pão de calabresa, idêntico ao que vende no Frango Assado, se bobear comprado lá mesmo.
No fundo, pessoal vai lá mesmo é pra comprar pãozinho e acaba comprando uma frescura só pra disfarçar.
Por isso, meus amigos, não se deixem enganar por nomes bonitos, nem pelo último hype da Ilha de Caras. O negócio é abraçar o popularismo e se esbaldar com churrasco de acém e cerveja Belco ao som de Pimenta do Reino. Podem ter certeza que os felizes são eles...
30.3.09
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1 comentários:
é por isso que eu sou feliz, comigo não tem frescura, não tem tempo ruim. vou no fifties e peço por um natureba de tomate, palmito e champinhon mais um milk shake de paçoca. delissa.
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